Existem vários tipos de disfunções sexuais que provocam desconforto
sexual nas mulheres, impedindo que as mesmas alcancem o tão desejado orgasmo e
tenham uma vida sexual satisfatória. Estima-se que muitas mulheres nunca passaram
pela experiência de um orgasmo, seja ele clitoriano ou vaginal. As causas que
explicam esse fato são significativamente variadas e complexas, envolvem
fatores de ordem orgânica e, principalmente, fatores de ordem psicológica.
Para um melhor entendimento a respeito do que acontece nas disfunções
sexuais, relaciono a seguir várias disfunções apresentadas por mulheres que se
queixam de tais problemas e procuram algum tipo de ajuda. Algumas das doenças
ou disfunções estão associadas com problemas crônicos temporários ou relativos
a determinados parceiros, outras, são infecções que exigem um tratamento
urgente, a fim de evitar o agravamento da doença.
- Inibição sexual ou falta de desejo
Quando a mulher tem o desejo sexual inibido, ou desejo sexual hipoactivo.
Isso acontece quando há uma diminuição ou total ausência de desejo sexual,
fantasias e desejo de praticar atividades sexuais. Isto acontece porque algum
mecanismo de inibição estar em funcionamento no cérebro da mulher, é ele quem
decide que não quer mais sentir prazer. Nesta situação, a mulher é a
responsável pelo problema, porém, ela não tem consciência dessa
responsabilidade. As hipóteses a seguir foram formuladas com o objetivo de
compreender o problema e descobrir suas causas, são elas: falta de desejo
primário, ou seja, pessoa que nunca se masturbou, nunca vivenciou experiências
eróticas, nunca sentiu atração por ninguém; sentimento de que o sexo não é algo
importante e muitas vezes não deve e não faz parte da vida; medo de ter um
sucesso sexual; medo de ficar desapontada com o sexo; temor à intimidade,
conflito de Édipo mal resolvido (o pai é visto na pessoa do marido
inconscientemente) o que não permite certas intimidades com o marido por medo
de incesto. O sexo é visto como uma coisa suja e imoral, repugnante, feio,
negativo; repressão dos impulsos sexuais desde a infância.
O tratamento deve ser realizado por meio de auxílio terapêutico, pois
somente dessa forma o paciente superará o problema.
- Aversão sexual
Essa disfunção é caracterizada pelo fato de a mulher evitar ter relações
sexuais. Essa mulher evita fervorosamente o ato sexual com parceiros, e sente
inclusive sentimentos de repulsa, ansiedade e medo. O tratamento deve ser por
meio de tratamento terapêutico.
- Frigidez
Quando a mulher é sistematicamente incapaz de criar ou manter a
lubrificação vaginal até o fim do ato sexual. Acontece em mulheres que tem
pouca ou nenhuma sensação de excitação. O nome frigidez originou-se da palavra
frígida que significa mulher fria e distante.
- Anorgasmia
Quando existe uma inibição do orgasmo. Quando uma mulher é incapaz de
atingir o orgasmo, considera-se que ela poderá ter uma anorgasmia. Neste
problema, pode haver um atraso ou ausência persistente do orgasmo, mesmo após
estimulação sexual adequada.
- Dispareunia ou Dor na relação
Esta disfunção é uma das mais freqüentes entre as mulheres.
Caracteriza-se por forte dor genital associada ao ato sexual. O problema pode
ter como causa fatores orgânicos ou fatores psíquicos. Como fatores orgânicos
têm as infecções e inflamações na vagina, problemas de estrutura da área
pélvica, ressecamento das paredes vaginais e infecção das vias urinárias. A
maior incidência dos casos são causados por fatores psicológicos relacionados
principalmente com dificuldades na lubrificação da vagina. Essa dificuldade
pode ser causada por uso de medicação anti-histâmica, vaginite atrófica,
diabetes mellitus, falta de excitação sexual, medo de não ter um bom desempenho
com o parceiro e etc.
Uma mulher apreensiva, nervosa, ansiosa durante o momento do ato sexual,
dificilmente ficará excitada, o que prejudica a lubrificação vaginal e
consequentemente a sensação de dores.
Antes de iniciar o tratamento terapêutico, a mulher deve passar por um
minucioso exame na região pélvica para constatar se as causas são orgânicas ou
físicas. Se as possibilidades de causas orgânicas forem descartadas, a mulher
deverá ser orientada a procurar ajuda na terapia.
- Vaginismo
Chama-se vaginismo a contratação dos músculos que ficam próximos à entrada
da vagina, normalmente quando a mulher esta relaxada e pronta para o ato
sexual, os músculos que circundam a vagina se relaxam de maneira a permitir a
entrada do pênis. No vaginismo, ocorre o oposto, esses músculos se contraem e
fecham a entrada da vagina, impossibilitando a entrada de qualquer objeto.
O vaginismo é causado por uma associação de dor ou medo com a penetração,
ou seja, é uma resposta condicionada. Esse medo de dor pode ser causado por má
informação sobre a primeira relação amorosa, parto, trauma de abuso sexual na
infância, e até problemas físicos reais. Alguns problemas ou doenças pélvicas
podem contribuir para o desenvolvimento do vaginismo, como por exemplo: hímen
rígido, endometrite, doenças inflamatórias pélvicas e etc.
O tratamento do vaginismo é feito por meio de exercícios físicos de
dilatação da entrada da vagina. Esses exercícios podem ser feitos na comodidade
de casa, quando a própria pessoa se relaxa e inicia o exercício introduzindo um
dedo na vagina, depois dois, depois três dedos. Após essa primeira fase,
chamada de fase de dessensibilização, é a vez de o companheiro introduzir os
seus dedos. Depois que os dois primeiros passos são bem sucedidos é tentada a
penetração com o pênis.
O objetivo do exercício é a dissociação de dor e tensão com penetração. O
sucesso desse tratamento acontece quando a mulher se convence de que para
ocorrer a cura algo tem que entrar na sua vagina.
- Disfunção sexual crônica
É um problema causado por uma condição médica, quando há um problema
orgânico que gera os problemas sexuais, como é o caso da diminuição do desejo
devido por exemplo, a diabetes Mellitus.
- Disfunção sexual medicamentosa
Disfunção que ocorre quando o uso de algum tipo de medicação, cujas
substâncias provocam ou induzem uma disfunção. Altas doses de alguns
medicamentos controlados provocam a diminuição do desejo, como por exemplo:
altas doses de sedativos hipnóticos, como o Diazepan.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
SUPLICY, Marta: Coversando sobre sexo. Petrópolis,RJ: Editora Vozes, 1984 -
Edição da autora,10a. edição.
Nenhum comentário:
Postar um comentário