sábado, 19 de novembro de 2011

O Princípio educativo do trabalho


O artigo do autor Mauro Titton aborda sobre a polêmica em torno do debate acerca do trabalho como princípio educativo, buscando com este artigo identificar o núcleo central dessa discussão entre intelectuais militantes comprometidos com a transformação da atual sociedade de classes, visando à construção do comunismo.
O autor parte do principio de que o trabalho e a categoria fundante do ser social, isso, por que é por meio do seu trabalho que o ser humano garante a sua existência e transforma o meio em que vive, pela necessidade que ele tem de adaptar a natureza as suas necessidades. Porém, o sistema capitalista centrado na produção é quem controla o trabalho e os meios de produção, subordinando-os à sua lógica de mercado, baseada no lucro a todo custo. Essa situação é danosa à sociedade, pois permite que o sistema capitalista organize as relações sociais e desumanize o se humano com a sua lógica. Para fazer frente a essa situação é necessário buscar meios para tornar possível uma educação que humanize o ser humano, barrando a alienação imposta pelo sistema, que educa os trabalhadores para uma sociabilidade de relações estranhadas.         
O autor cita as experiências vivenciadas pelos movimentos sociais como uma alternativa para enfrentar e romper com a lógica imposta pelo sistema capitalista. Nos movimentos sociais, o trabalho como princípio educativo articula-se à proposição pedagógica de Pistrak (2000) sobre a auto-organização do coletivo, que traz elementos centrais para distinguir entre as diferentes formas de compreensão da auto-organização e suas implicações no processo de trabalho pedagógico que busca construir um novo projeto histórico, ou seja, que deve lidar com a formação rompendo com a lógica nela imposta pelo capital. O autor alerta que essa auto-organização deve estar baseada no coletivo, onde todos tenham plena compreensão dos objetivos comuns e da intencionalidade posta nestes objetivos.
O autor defende uma revolução socialista, tendo como base o marxismo, e como elemento central impulsionador, a auto-organização do coletivo articulada ao trabalho socialmente útil, e alerta que essa revolução se torna cada vez mais urgente, já que o sistema capitalista encontra-se em crise, e por estar nesta situação, se torna mais danoso à sociedade, contribuindo para o caos social e a degradação da vida humana.
É preciso está atento e assumir uma postura crítica frente à realidade atual para superar a lógica do capital e construir uma proposta educativa para além do capital.                       .         

O trabalho e a educação

Segundo o autor Fridrick Engels, o trabalho é a condição básica e fundamental de toda vida. Há quem discorde dessa tese, ou seja, ela não é consensual. O fato é que todos concordam que o trabalho - sendo ou não considerado como condição básica – é a fonte de toda a riqueza. Foi a partir do trabalho que a raça humana começou a evoluir e continua evoluindo, afinal, não somos seres suficientemente desenvolvidos. A realidade social que vivenciamos nos dias atuais, deixa claro que ainda teremos que evoluir muito.
O trabalho começa com a confecção dos primeiros instrumentos de caça e pesca, que também eram utilizados como armas de guerra e de defesa. Isso passa a acontecer a partir da evolução do homem primata para o homem acabado, o que fez surgir os primeiros grupos sociais ou as primeiras sociedades. Nessa transição, o homem descobre um grande aliado que passa a contribuir substancialmente para a sua sobrevivência; o fogo. Esse elemento da natureza influenciou de maneira significativa no modo de vida dos nossos antepassados. É o fogo que permite que os alimentos sejam preparados antes de serem ingeridos, aquece nas noites de frio, protege o grupo dos animais ferozes e ilumina nas noites escuras. Em um primeiro momento da história, o homem tinha o conhecimento das técnicas de se obter o fogo, somente era possível consegui-lo por meio da queda de um raio que incendiava as florestas. Uma vez obtido, a sua chama era mantida acesa com todos os cuidados necessários. Esse fato tornava o grupo um alvo constante dos ataques de grupos rivais que visavam apossar-se do fogo para os mesmos fins. Trava-se assim, uma verdadeira guerra pelo fogo.
Foi graças ao contato de um grupo menos avançado culturalmente com outros mais desenvolvidos, que a técnica primitiva de se obter fogo foi descoberta e difundida, foi possível também a descoberta de outros tipos de instrumentos para a caça e a pesca, bem como a descoberta de novos utensílios e a aquisição de novos hábitos. A caça associada à domesticação de animais e ao uso do fogo propiciou ao homem mais reservas de carne de forma mais regular, bem como, novos alimentos, como o leite e os seus derivados. Assim, o homem foi gradativamente adaptando a natureza as suas necessidades imediatas, e ocupando diversos e diferentes espaços. Nesse contexto sugiram novas formas de trabalho e novas atividades além da caça e da pesca, são elas: a agricultura, a fiação, a tecelagem, a fundição de metais, a olaria, a navegação, o comércio, as artes e as ciências. Surgiram as nações, os estados, o direito e a religião.
Esse rápido desenvolvimento da nossa civilização é atribuído ao desenvolvimento da nossa atividade cerebral. O cérebro que antes apenas pensava e planejava o trabalho, passa também a criar mecanismos capazes de obrigar ou convencer outros seres humanos a realizar um determinado trabalho, instituindo assim, a exploração do trabalho, ou seja, o ser humano é obrigado a se submeter a um tipo de situação na qual ele terá que trabalhar em troca de um salário ou outro tipo de benefício para gerar riqueza para um terceiro, ou aquele que possui os meios de produção (terras, máquinas, ferramentas e etc.).     
O trabalho voltado exclusivamente para a produção e visando o lucro, gerou a divisão da população em classes sociais antagônicas, a classe dos dominantes, ou classe burguesa e o proletariado. Essa é uma das principais características dos sistemas de produção que surgiram na história da humanidade, a partir da decadência e o fim da propriedade comunal. A conseqüência dessa divisão é a concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas(burguesia), enquanto a maioria(proletariado) fica com as migalhas.
O processo de produção depende de uma mão de obra especializada, são técnicas e outros conhecimentos que vão permitir aos homens produzir o objeto do seu trabalho. É necessário aprender a trabalhar. Com o fim da propriedade comunal, a classe dos proprietários de terra descobre que pode viver sem trabalhar, vivendo somente da exploração do trabalho alheio. Foi ai que surgiu o escravismo. Essa divisão de classes provocou uma divisão na educação, passou-se a ter um sistema de educação divido em duas modalidades distintas: uma educação para a classe proletariada, que consistia em ensinar somente o básico para que o escravo realiza-se com destreza a sua tarefa, e uma outra educação voltada para a classe dos proprietários, esta, identificada como a educação dos homens livres, centrada em atividades intelectuais, na arte da palavra e nos exercícios físicos.
Da época do escravismo até os dias atuais, esse dualismo na educação veio se perpetuando. O atual sistema capitalista, caracterizado por uma extrema desigualdade social, continua mantendo essa divisão de classes. Hoje temos uma educação para o pobre e uma educação para o rico, uma escola privada melhor equipada para atender aos filhos das famílias com um bom poder aquisitivo e uma escola pública carente de vários recursos para atender aos filhos das famílias das camadas mais baixas da sociedade. Nesse contexto, é a produção quem define o tipo de educação que será desenvolvida nas escolas e também nas faculdades. O mercado de trabalho necessita basicamente de dois tipos de profissionais: aqueles com habilidades para profissões manuais, que requerem um conhecimento mínimo e limitado - com pouco conhecimento teórico - e profissionais intelectuais, com amplo domínio de fundamentos teóricos, a fim de preparar as elites e representantes da classe dirigente.
Finalizando este breve resumo, concluo afirmando que toda a nossa educação é voltada exclusivamente para o trabalho, desde a infância somos preparados para ser útil à sociedade, para cumprir um papel, somos valorizados mais como utilidade e objeto do que como sujeito.   

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Geografia para quê?

Em resposta a essa questão, concluímos que o conhecimento geográfico tornou-se um verdadeiro instrumento de dominação dos detentores do capital e dos interesses estratégicos dos governos e dos blocos de poder. 
As grandes empresas principalmente as multinacionais necessitam de bons conhecimentos de geografia para criar as suas estratégias de expansão, do contrário, tendem a enfrentar grandes prejuízos, sobretudo prejuízos financeiros. É uma prática comum nas grandes empresas a adoção de um planejamento estratégico, caracterizado por alguns aspectos fundamentais, são eles: política mundial de atuação; produção com objetivos mundiais; sistema de distribuição global de seus produtos e política publicitária que relacione cultura local e padrões de consumo internacionais.
Nesse contexto, percebe-se que o capital atribui grande importância ao conhecimento da Geografia, História, Antropologia, Política e Religião para alcançar as suas metas e objetivos econômicos.
Do mesmo modo, os países e blocos econômicos, precisam de uma visão estratégica que lhes dê viabilidade para encontrar caminhos adequados para as suas opções industriais, comerciais, tecnológicas e militares. Neste caso, o conhecimento geográfico auxilia os sistemas de espionagem, permitindo que os organismos de controle do Estado atuem de modo a gerenciar os seus espaços de dominação e controlar a vida dos seus cidadãos, chegando a perseguir e silenciar os seus opositores. Atualmente é indispensável para os Países ter o monopólio ou, pelo menos, o acesso fácil às informações consideradas essenciais.    
Percebe-se nesse contexto que o conhecimento geográfico torna-se cada vez mais importante no nosso cotidiano e em diversos setores na nossa vida social, privilegiando principalmente o capital, o Estado e os blocos econômicos. Sendo assim, essa reflexão suscita os seguintes direcionamentos: a utilização da Geografia como ciência auxiliar a outras áreas de interesse; a modificação da teoria e do método de estudo das relações que produzem o espaço, ampliando os horizontes da Geografia enquanto disciplina, paralelo a produção de um conhecimento multidisciplinar; a necessidade de aprofundar o debate a respeito da democratização do conhecimento geográfico, tendo em vista a sua utilização em benefício dos grupos econômicos e dos países ricos.
A partir dessas constatações alguns autores sugerem alguns questionamentos: Qual o espaço e a importância do estudo da geografia no ambiente escolar? Seria destinado à escola apenas o papel derivado de absolver o conhecimento produzido fora dela? Como viabilizar a produção de um conhecimento atualizado e historicamente importante, se não se dispõe dos mesmos recursos tecnológicos e econômicos utilizados pelos detentores do poder em seus projetos de controle do saber e da economia?
No intuito de contribuir para a reflexão destas questões, os autores colocam seus pontos de vista sobre o ensino da Geografia nas escolas. Eles evidenciam que é necessário acreditar na força revolucionária da educação para a construção de uma sociedade democrática e, que é preciso muito mais do que boas intenções e voluntariado para sanar as deficiências da prática do ensino escolar, em particular o ensino da Geografia. Segundo os autores é preciso primeiro aceitar as críticas que são feitas à prática do ensino escolar, principalmente aquelas concentradas nos seguintes pontos: conteúdos extensos e desvinculados da realidade escolar; metodologia inadequada com conteúdos predefinidos que não motivam para o contato com a realidade; postura pouco participativa do professor; crítica a passividade dos alunos que não se manifestam em propor mudanças; a falta de recursos materiais, salários defasados, material didático ultrapassado ou inadequado; a necessidade de reformulação na política de formação de professores que é inadequada à realidade atual e ainda a desvalorização social da profissão de professor.
Um segundo ponto de vista destacado pelos autores é que o trabalho na escola deve partir da realidade vivida por professores e alunos. Um terceiro ponto de vista considerado relevante para os autores é que se deve incentivar a criatividade de estudantes e professores nas práticas de ensino. Outro ponto mencionado pelos autores é que não se deve desperdiçar as oportunidades de reflexão coletiva sobre assuntos atuais e relevantes para a sociedade. Em relação a esses quatro pontos citados, os autores sugerem atividades pedagógicas coletivas voltadas para a construção do conhecimento. Essas práticas consistem na observação e análise do espaço geográfico, com o objetivo de integrar teoria e prática, permitindo assim que o estudante conheça o meio em que vive e adquira uma consciência sócio-cultural que o estimule a ações cidadãs. A idéia é que o professor organize aulas de campo em sítios, fazendas, museus, pontos históricos, praias, prédios e outros. A partir da observação e análise do objeto de estudo, parte-se para o registro em relatórios escritos, fotos, filmagens, desenhos, maquetes e outra formas de se registrar o espaço. A proposta dos autores é que a atividade se desenvolva sempre com equipes temáticas, com temas coerentes com a realidade a ser observada. Outra atividade sugerida é o debate com a discussão sobre temas do cotidiano dos jovens, como a AIDS, o desemprego, a sexualidade, a violência, o uso de drogas, o namoro, as relações familiares e etc.
Com essa reflexão, podemos concluir que é possível realizar um processo de ensino-aprendizagem que possibilite ao aluno produzir o seu próprio conhecimento do espaço geográfico. Nesse processo, o professor atua como mediador na produção do conhecimento, possibilitando ao aluno a oportunidade de tornar-se um leitor consciente da sua realidade e capaz de transformá-la. Concluímos também, que o conhecimento geográfico e o seu estudo não são privilégios somente dos detentores do capital e do Estado de Direito. A escola pode usufruir desse mesmo privilégio, viabilizando meios para que alunos e professores produzam conhecimento geográfico baseado na realidade por eles vivenciada.     

















quinta-feira, 30 de junho de 2011

Devemos afastar essa História do Currículo

     
No momento atual ainda é possível constatar que nos currículos de algumas escolas e suas respectivas práticas pedagógicas, o ensino da disciplina de História é fundamentado em uma concepção tradicional já ultrapassada. Tal concepção de caráter positivista resulta no estudo dos fatos históricos como fim em si mesmo, um estudo baseado na memorização de datas, nomes considerados importantes, feitos heroicos envolvendo grandes personalidades e a história das classes dominantes. Além disso, essa concepção prega uma visão da sociedade como sendo homogênea e harmônica, na qual, o homem é um simples sujeito passivo.
 Analisando esses resultados, percebemos que esse tipo de ensino forma sujeitos com dificuldades para assumir uma postura crítica e coerente com a sua realidade. Dessa forma, o sujeito não consegue compreender e interpretar os fenômenos que acontecem em seu meio. Sem a devida interpretação dos fatos ocorridos, o ensino da história está fadado à inutilidade, já que o aluno não consegue fazer uma leitura consciente da sua realidade,  o que o torna incapaz de entender a complexidade que envolve as relações em sociedade.
Na tentativa de quebrar com essa concepção positivista ultrapassada, o marxismo trouxe uma enorme criticidade para o estudo da história, pregando uma sociedade em constante conflito de classes e o homem como sujeito da história. O estudo da história dentro dessa concepção é centrado na luta de classes e nos meios de produção e propõe um método dialético para o aprendizado dos conteúdos, sob a  argumentação de facilitar a apresentação dos temas abordados. No entanto, essa metodologia acaba resultando em uma apresentação simplista a rápida dos conteúdos, apresentando-os numa sequência mecânica dos modos de produção: escravismo, feudalismo, capitalismo, socialismo e comunismo, na qual o professor se torna mais um contador de histórias e o aluno um mero ouvinte, sem a autonomia e a opção de pesquisar a sua realidade e relacioná-la com outros tempos e outras histórias. Nessa metodologia, o professor não estimula o aluno a produzir o seu próprio conhecimento de mundo, e o aluno é moldado a pensar e se posicionar criticamente na luta de classes sociais pela hegemonia política e econômica.
Os argumentos apresentados até aqui, já são suficientes para defender a ideia de que essa história deve sim ser afastada do currículo das escolas que ainda estão presas a concepções ultrapassadas e, dá lugar a novas concepções que possam dar embasamento a novas práticas e novos métodos de ensino, contribuindo para formar cidadãos capazes de fazer uma leitura consciente da sua realidade, podendo a partir do diagnóstico,    atuar de forma consciente no sentido de intervir e transformá-la.
Podemos concluir que é necessário que as escolas que ainda adotam essas duas concepções ultrapassadas no ensino da História, façam uma reformulação nos seus  currículos e nas práticas pedagógicas, em conformidade com os Parâmetros Curriculares Nacionais.               

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A Idade Contemporânea e os Novos Desafios da Educação


O início da época contemporânea é marcado pela Revolução francesa. A partir de então a Europa entra em uma fase de muitas mudanças sociais, políticas e econômicas caracterizadas pela ruptura com as tradições do passado, visando uma sociedade mais justa para todos.
A contemporaneidade é a época da industrialização, dos direitos, das massas, da democracia e principalmente da retomada da educação como centro mediador da vida social. Nesse novo contexto emerge novos sujeitos educativos; a criança, a mulher, o deficiente e depois – em épocas mais próximas a nossa geração – as etnias e minorias culturais.
Esses novos sujeitos educativos acrescentaram novos desafios para as teorias e práticas educativas, exigindo da pedagogia uma renovação nos seus modelos educativos e nos conceitos, visando práticas pedagógicas inclusivas fundamentadas no sujeito que necessita de necessidades educacionais especiais (NEEs). O século XX é o cenário dessa renovação na pedagogia. Desse período até os dias atuais, muitas transformações ocorreram no campo da educação para tornar viável uma escola inclusiva que atenda a todos sem discriminação e que garanta a formação adequada para a vida, de tal forma que estes sujeitos, possam viver de forma produtiva e satisfatória, com autonomia e independência.
Neste sentido, segundo Magalhães; Lage (2002, p.16):
A escola, e, principalmente os professores, encontrarão em suas salas uma população discente cada vez mais heterogênea, que engloba um conjunto de alunos com necessidades educacionais especiais, temporárias ou não, às quais, os professores terão, necessariamente, de responder. Assim a escola deverá desempenhar um novo papel: servir de palco à diversidade cultural e educacional que a realidade dos dias atuais lhe confere.