terça-feira, 26 de outubro de 2010

ABC do método Paulo Freire

Paulo Freire pensou em um método de alfabetização construído partir da idéia de um diálogo entre educador e educando. O mesmo é contra o uso de  cartilhas ou outro material de alfabetização pré-fabricado. Segundo o educador, a cartilha pré-fabricada é um saber imposto. É uma espécie de roupa de tamanho único que serve para todo mundo e pra ninguém.
No pensamento de Paulo Freire, um método de educação não pode começar com o educador trazendo tudo pronto e esquematizado, de acordo com o seu mundo, o seu saber, a sua fala, o seu método, acreditando ele, ser o detentor do saber e que ensinar é enfiar o saber de quem sabe na cabeça de quem supostamente não sabe.
Um dos pensamentos do método é a idéia de que ninguem educa ninguem e ninguem se educa sozinho. A educação deve se um ato coletivo e solidário, não pode ser imposta. Porque educar e uma tarefa de trocas entre pessoas, não  pode ser feita de forma individual e, muito menos ainda ser o resultado da imposição de quem supõe possuir o saber sobre quem foi obrigado a pensar não possuir nenhum saber.
Na sua visão, no processo de ensino-aprendizagem não existe dois lados diferentes, ou seja, não existe o educador e o educando, e sim, educadores-educandos e educandos-educadores. De ambos os lados se aprende e se ensina.
A idéia de um diálogo entre educadores e educandos deve começar com uma prática comum entre pessoas que fazem parte do programa de alfabetização e as da comunidade. Após a comunidade aceitar se envolver com o programa de alfabetização, a primeira tarefa que inicia a troca de saberes e de conhecimento é uma pequena pesquisa. É uma tarefa coletiva que visa à construção do conhecimento da realidade do lugar onde as pessoas vivem e serão alfabetizadas.
Paulo Freire chamou essa primeira etapa pedagógica de Construção de vários nomes: “levantamento do universo vocabular”, “descoberta do universo vocabular”, “pesquisa do universo vocabular” e ”investigação do universo temático”.
É um trabalho de campo que deve ser realizado de caderno na mão, ouvidos e olhos atentos, se possível utilizar gravador. As pessoas do programa se inserem na comunidade e participam do cotidiano das pessoas. Não há questionários  ou roteiros pré-determinados de pesquisa. Há perguntas sobre a vida, sobre trabalho, casos acontecidos, modos de ver e compreender o Mundo. O objetivo é a aquisição  de vocábulos mais usados pela população a ser alfabetizada. Tudo o que for falado é importante: palavras, frases, ditos, provérbios, modos peculiares de dizer, de versejar ou de cantar o mundo e traduzir a vida. Festas ou reuniões periódicas devem ser aproveitadas para a pesquisa: rezas, festas religiosas, folguedos, discussões no sindicato ou associações.
A parti deste levantamento do contexto social da comunidade surgirá os temas geradores falados através das palavras geradoras. Com isso os educandos passam para etapas seguintes do aprendizado coletivo e solidário, que consiste em uma dupla leitura: a da realidade social que se vive e a da palavra escrita que se retraduz.
Essa pesquisa do universo vocabular é apenas uma primeira etapa do método. As outras etapas são outras circunstâncias dessa mesma descoberta aprofundada.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA: BRANDÃO, Carlos Rodrigues: O que é o método Paulo Freire. São Paulo: Brasiliense, 1981. – (Coleção Primeiros Passos), 38                          

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Educação e Política na pedagogia freireana

A obra de Paulo Freire traz uma proposta pedagógica muito bem definida politicamente em defesa dos pobres e oprimidos. Um exemplo disso é uns de seus principais trabalhos publicados, a Pedagogia do oprimido. Neste livro Paulo Freire deixa claro de que lado está diante de um contexto sócio-econômico que gera uma sociedade desigual e desumana.
Para Freire a educação jamais poderá ser indiferente politicamente. Toda ação, projeto ou proposta educacional irá produzir conseqüências na vida dos sujeitos envolvidos no processo educativo e no contexto social ao qual estão inseridos. Assim, todo e qualquer ato educativo é essencialmente uma ação política. Nesse sentido, para o escritor, as opções pedagógicas são norteadas de acordo com a visão e interesse político do educador. Do mesmo modo, as políticas públicas governamentais para a educação são norteadas em conformidade com certas concepções políticas.
Paulo Freire afirma que é indispensável que o educador assuma uma posição política coerente com a sua ética profissional. Esse é um dos preceitos básicos que sustentam a pedagogia freireana e transcorre toda a sua obra.
Em seus livros, principalmente a Pedagogia da esperança e a Pedagogia da autonomia, Freire critica o neoliberalismo globalizante e denuncia as práticas desumanas decorrentes desse projeto político. Freire defende a sua posição crítica a partir da sua visão ético-política do ser humano. Defende a Ética Humana que tem como preceito principal, o direito de todos a vida digna. Já a Ética de Mercado defendida pela ideologia neoliberal e propagada por meio de um discurso conservador e fatalista, defende o lucro acima de tudo e as leis de mercado como algo absoluto e intocável. Nesse sentido, Freire considera que a ideologia neoliberal é contrária ao valor da vida por valorizar o lucro e o mercado. Sendo assim, esse projeto político neoliberal deve ser combatido com a união das classes oprimidas em movimentos sociais na construção de um novo projeto social que supere as práticas injustas e desumanas do neoliberalismo globalizante.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA: ZITKOSKI, Jaime José. Paulo Freire e educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Tecnologias digitais, interatividade e educação

Basicamente o processo de comunicação envolve o trio emissor-recepção e comunicação. Segundo M. Marchand, a introdução da interatividade nos conteúdos (mensagens) provoca uma mudança fundamental no esquema clássico de comunicação. Nessa situação de interatividade, mensagem e receptor mudam de papel, de natureza e de status. Assim, mensagens e conteúdos, não se expressam mais apenas como emissão, mas como conteúdos manipuláveis.  Dessa forma, o emissor passa a oferecer ao receptor um leque de possibilidades para que a mensagem possa ser alterada, recomposta e reorganizada. Assim o receptor sai da posição clássica de receptor passivo e passa a receptor ativo, com o poder de intervir nos conteúdos.
Percebemos assim, que o grande beneficiado com essa mudança no sistema clássico de comunicação, é o receptor (aluno, internauta, ouvinte, telespectador, leitor) que utiliza instrumentos para interagir com as mídias de massa.
Vejo nisso várias implicações, entre elas cito a crescente demanda por interatividade, o que motiva a indústria da informática e a de eletro-eletrônicos a desenvolver aplicativos e equipamentos cada vez mais sofisticados e de baixo custo a fim de suprir essa demanda. Isso acarreta a meu ver um aumento exagerado no consumo de produtos eletrônicos, o que de certa forma, provoca um aumento na produção. A cada dia surgem mais e mais novidades nas prateleiras das lojas especializadas, um exemplo disso são os aparelhos de telefonia celular, que reúnem em um único e às vezes minúsculo aparelho, alguns ou vários aplicativos que possibilitam cada vez mais interatividade. Como virou moda estar atualizado e usufruindo das novas tecnologias, muitas pessoas trocam de aparelho com muita freqüência,  descartando o aparelho anterior sob o pretexto de este estar ultrapassado. Isso traz conseqüências graves para o planeta, uma delas é um aumento na quantidade de lixo eletrônico lançado no meio ambiente, já que nem todos os materiais utilizados na fabricação destes aparelhos podem ser reciclados. Assim o destino desses materiais contribui para aumentar a degradação do nosso já degradado planeta.
É claro que as novas tecnologias trazem muitos benefícios para a sociedade, porém tantos benefícios podem trazer também sérias implicações que alteram o nosso modo de vida.
Penso que devemos agir com certa prudência com relação aos benefícios e inovações proporcionados pelas novas tecnologias, pois podem nos deixar extremamente dependentes delas, o que pode nos deixar demasiadamente subordinados a elas.
Na modalidade de interatividade o receptor passa a ter a liberdade e o poder de intervir nos conteúdos e assim, passa a ter mais liberdade para criticar, sugerir, questionar, opinar, enfim, os receptores têm a possibilidade de participar como gestores da informação, interagindo com redatores, jornalista, apresentadores, autores e etc.
A interatividade não acontece só na interação entre público e mídias de massa. É viável também a sua aplicabilidade na educação à distância. Assim, várias instituições de ensino utilizam a interatividade na relação entre alunos e professores. Nessa relação mediada pelo uso do computador, professores e alunos interagem na discussão dos conteúdos e todos têm a liberdade de se expressar, seja criticando avaliando, sugerindo, apontando falhas, expondo suas opiniões.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

As tecnologias digitais na educação a distância e o papel do tutor

A utilização das tecnologias digitais na educação à distância (Ead) revolucionou essa modalidade de ensino. O advento dos ambientes virtuais de educação permitiu que as instituições de ensino superior aumentassem a oferta de cursos de nível superior à distância, aproveitando assim as potencialidades que essas tecnologias têm a oferecer para a sociedade. Um exemplo disso é o Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) que promove o intercâmbio entre várias instituições de ensino, visando à democratização, expansão e interiorização do ensino superior por meio da educação à distância viabilizada por meio do uso das tecnologias digitais.
Esse novo cenário educativo caracterizado pelo uso das tecnologias digitais passou a exigir profissionais capacitados para atuarem nesse novo contexto do ensino a distância. Entre esses profissionais, merece destaque o papel do tutor. Este, se bem preparado para atuar no âmbito do ensino a distância, pode garantir dentro das suas possibilidades uma boa qualidade de ensino. No entanto, é importante observar, que não adianta só estar bem preparado e atualizado, é importante também, que estes profissionais principalmente aqueles que vão estar na linha de frente (no caso dos tutores), se sintam valorizados e que sejam bem remunerados. É necessário também que lhes sejam disponibilizados boas condições de trabalho para que estes profissionais possam consequentemente oferecer um bom suporte aos educandos, já que são os tutores que realizam este trabalho junto aos alunos, acompanhando a aprendizagem dos alunos, motivando, mediando o conteúdo, avaliando a aprendizagem, enfim, dando todo o suporte que o aluno necessita.  Assim, o tutor desenvolve funções características de um professor, por esse motivo, muitos especialistas nesta área questionam o uso do termo “tutor” para designar este tipo de profissional. Alguns autores sugerem o termo professor-tutor, outros preferem o termo facilitador ou orientador acadêmico. A meu ver, o termo tutor esta sendo mal empregado na educação a distância, penso que o termo professor-orientador seria o mais adequado porque o sentido da palavra orientador tem uma relação mais próxima com a função do professor, já o termo tutor, significa curador, defensor e protetor. Penso que o uso do termo tutor contribui para aumentar a desvalorização do papel do professor, já que passa uma idéia a meu ver, de que o tutor é alguém inferior ao professor ou subordinado ao professor. Penso isso porque é um fato comum nos ambientes profissionais o funcionário inferior ou o subordinado ser aquele que ganha menos e trabalha mais, e nem sempre é valorizado pelas suas atribuições, apesar das mesmas serem extremamente necessárias para o andamento dos processos. Pelo o que pude perceber com a leitura do texto que aborda a problemática em torno função do tutor no âmbito da educação a distância, o tutor tem várias e importantes atribuições que o caracterizam como um professor e, apesar desse fato, a média salarial dos mesmos demonstra o quanto esse profissional é desvalorizado na sua função. Em outras palavras é possível afirmar que é muita responsabilidade para pouco dinheiro. Outra observação importante são as competências que o professor deve ter para atuar como tutor no novo contexto dessa modalidade de ensino, caracterizada atualmente pelo uso das tecnologias digitais. Esse novo contexto exige do profissional novas habilidades, novos conhecimentos e uma nova visão educativa que englobe novas perspectivas com o uso das tecnologias nas práticas de ensino. Em outras palavras pode-se dizer que as exigências são muitas e o salário é pouco. É claro que os profissionais da educação precisam atualizar os seus conhecimentos para se adequarem ao novo contexto educacional com as novas tecnologias. A mudança para melhor é necessária. No entanto a mudança tem que ser recíproca, ou seja, ela deve acontecer em ambos os lados. O profissional deve mudar, mas o sistema com a sua lógica de mercado deve também se atualizar e passar a valorizar o papel do professor na educação a distância e em outras modalidades de ensino. Na minha visão as tecnologias não facilitam vida do professor, e sim, impões novos desafios a este profissional. Desafios que devem ser superados com boas condições de trabalho, qualificação, boa remuneração e motivação, para que estes profissionais tenham condições de gerenciar os seus novos espaços de atuação.
O autor Moram, destaca esses novos espaços de atuação: uma nova sala de aula; os ambientes virtuais de aprendizagem e os espaços e tempos de contato com a realidade, de experimentação e de inserção em ambientes profissionais e informais. Moram enfatiza que os professores devem aprender a administrar esses vários espaços e integrá-los de forma aberta, equilibrada e inovadora. O novo contexto educacional exige cada vez mais professores capacitados para atuarem nesses novos espaços educacionais. O educador deve ser capaz de saber explorar os diversos recursos que as tecnologias digitais podem oferecer. Segundo o autor, precisamos repensar todo o processo educativo e mudar, ou melhor, reaprender a ensinar com as novas tecnologias. O professor não deve se limitar a utilizar as tecnologias apenas para ilustrar um conteúdo em sala de aula, é necessário criar uma maneira nova de envolver os alunos com os conteúdos a serem estudados, propor novos desafios para os alunos com o uso das tecnologias, orientar atividades e definir o que vale a pena fazer para aprender. É importante que o professor tenha uma boa formação técnica para utilizar as diversas ferramentas tecnológicas a sua disposição. Acredito que isso seja um dos fatores importantes para o sucesso desse profissional nos novos espaços educacionais. É necessário que os cursos de formação de professores revejam o currículo de disciplinas e incluam disciplinas que habilitem os futuros educadores para o uso dessas tecnologias.      
O autor, também, cita o que não pode faltar em sala de aula para que as possibilidades de aprendizagem possam ser ampliadas com as tecnologias: professores bem preparados, motivados, bem remunerados, com formação pedagógica atualizada, salas com boa acústica e tecnologias, das simples até as sofisticadas (vídeo, dvd, som, ponto de internet, computador com projetor multimídia e etc).
Para finalizar, penso que o professor dentro desse novo cenário educativo deve mudar a sua postura e deixar de ser um professor e passar a ser um facilitador/orientador de aprendizagem, deixar de ser aquele que traz tudo pronto e mastigado para os alunos, é preciso orientar os alunos a construir o processo de aprendizagem, para que estes se sintam também responsáveis pelo seu aprendizado. Essa mudança de perfil também é um grande desafio a ser vencido pelos educadores.