quarta-feira, 13 de outubro de 2010

As tecnologias digitais na educação a distância e o papel do tutor

A utilização das tecnologias digitais na educação à distância (Ead) revolucionou essa modalidade de ensino. O advento dos ambientes virtuais de educação permitiu que as instituições de ensino superior aumentassem a oferta de cursos de nível superior à distância, aproveitando assim as potencialidades que essas tecnologias têm a oferecer para a sociedade. Um exemplo disso é o Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) que promove o intercâmbio entre várias instituições de ensino, visando à democratização, expansão e interiorização do ensino superior por meio da educação à distância viabilizada por meio do uso das tecnologias digitais.
Esse novo cenário educativo caracterizado pelo uso das tecnologias digitais passou a exigir profissionais capacitados para atuarem nesse novo contexto do ensino a distância. Entre esses profissionais, merece destaque o papel do tutor. Este, se bem preparado para atuar no âmbito do ensino a distância, pode garantir dentro das suas possibilidades uma boa qualidade de ensino. No entanto, é importante observar, que não adianta só estar bem preparado e atualizado, é importante também, que estes profissionais principalmente aqueles que vão estar na linha de frente (no caso dos tutores), se sintam valorizados e que sejam bem remunerados. É necessário também que lhes sejam disponibilizados boas condições de trabalho para que estes profissionais possam consequentemente oferecer um bom suporte aos educandos, já que são os tutores que realizam este trabalho junto aos alunos, acompanhando a aprendizagem dos alunos, motivando, mediando o conteúdo, avaliando a aprendizagem, enfim, dando todo o suporte que o aluno necessita.  Assim, o tutor desenvolve funções características de um professor, por esse motivo, muitos especialistas nesta área questionam o uso do termo “tutor” para designar este tipo de profissional. Alguns autores sugerem o termo professor-tutor, outros preferem o termo facilitador ou orientador acadêmico. A meu ver, o termo tutor esta sendo mal empregado na educação a distância, penso que o termo professor-orientador seria o mais adequado porque o sentido da palavra orientador tem uma relação mais próxima com a função do professor, já o termo tutor, significa curador, defensor e protetor. Penso que o uso do termo tutor contribui para aumentar a desvalorização do papel do professor, já que passa uma idéia a meu ver, de que o tutor é alguém inferior ao professor ou subordinado ao professor. Penso isso porque é um fato comum nos ambientes profissionais o funcionário inferior ou o subordinado ser aquele que ganha menos e trabalha mais, e nem sempre é valorizado pelas suas atribuições, apesar das mesmas serem extremamente necessárias para o andamento dos processos. Pelo o que pude perceber com a leitura do texto que aborda a problemática em torno função do tutor no âmbito da educação a distância, o tutor tem várias e importantes atribuições que o caracterizam como um professor e, apesar desse fato, a média salarial dos mesmos demonstra o quanto esse profissional é desvalorizado na sua função. Em outras palavras é possível afirmar que é muita responsabilidade para pouco dinheiro. Outra observação importante são as competências que o professor deve ter para atuar como tutor no novo contexto dessa modalidade de ensino, caracterizada atualmente pelo uso das tecnologias digitais. Esse novo contexto exige do profissional novas habilidades, novos conhecimentos e uma nova visão educativa que englobe novas perspectivas com o uso das tecnologias nas práticas de ensino. Em outras palavras pode-se dizer que as exigências são muitas e o salário é pouco. É claro que os profissionais da educação precisam atualizar os seus conhecimentos para se adequarem ao novo contexto educacional com as novas tecnologias. A mudança para melhor é necessária. No entanto a mudança tem que ser recíproca, ou seja, ela deve acontecer em ambos os lados. O profissional deve mudar, mas o sistema com a sua lógica de mercado deve também se atualizar e passar a valorizar o papel do professor na educação a distância e em outras modalidades de ensino. Na minha visão as tecnologias não facilitam vida do professor, e sim, impões novos desafios a este profissional. Desafios que devem ser superados com boas condições de trabalho, qualificação, boa remuneração e motivação, para que estes profissionais tenham condições de gerenciar os seus novos espaços de atuação.
O autor Moram, destaca esses novos espaços de atuação: uma nova sala de aula; os ambientes virtuais de aprendizagem e os espaços e tempos de contato com a realidade, de experimentação e de inserção em ambientes profissionais e informais. Moram enfatiza que os professores devem aprender a administrar esses vários espaços e integrá-los de forma aberta, equilibrada e inovadora. O novo contexto educacional exige cada vez mais professores capacitados para atuarem nesses novos espaços educacionais. O educador deve ser capaz de saber explorar os diversos recursos que as tecnologias digitais podem oferecer. Segundo o autor, precisamos repensar todo o processo educativo e mudar, ou melhor, reaprender a ensinar com as novas tecnologias. O professor não deve se limitar a utilizar as tecnologias apenas para ilustrar um conteúdo em sala de aula, é necessário criar uma maneira nova de envolver os alunos com os conteúdos a serem estudados, propor novos desafios para os alunos com o uso das tecnologias, orientar atividades e definir o que vale a pena fazer para aprender. É importante que o professor tenha uma boa formação técnica para utilizar as diversas ferramentas tecnológicas a sua disposição. Acredito que isso seja um dos fatores importantes para o sucesso desse profissional nos novos espaços educacionais. É necessário que os cursos de formação de professores revejam o currículo de disciplinas e incluam disciplinas que habilitem os futuros educadores para o uso dessas tecnologias.      
O autor, também, cita o que não pode faltar em sala de aula para que as possibilidades de aprendizagem possam ser ampliadas com as tecnologias: professores bem preparados, motivados, bem remunerados, com formação pedagógica atualizada, salas com boa acústica e tecnologias, das simples até as sofisticadas (vídeo, dvd, som, ponto de internet, computador com projetor multimídia e etc).
Para finalizar, penso que o professor dentro desse novo cenário educativo deve mudar a sua postura e deixar de ser um professor e passar a ser um facilitador/orientador de aprendizagem, deixar de ser aquele que traz tudo pronto e mastigado para os alunos, é preciso orientar os alunos a construir o processo de aprendizagem, para que estes se sintam também responsáveis pelo seu aprendizado. Essa mudança de perfil também é um grande desafio a ser vencido pelos educadores.
    

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