quinta-feira, 30 de junho de 2011

Devemos afastar essa História do Currículo

     
No momento atual ainda é possível constatar que nos currículos de algumas escolas e suas respectivas práticas pedagógicas, o ensino da disciplina de História é fundamentado em uma concepção tradicional já ultrapassada. Tal concepção de caráter positivista resulta no estudo dos fatos históricos como fim em si mesmo, um estudo baseado na memorização de datas, nomes considerados importantes, feitos heroicos envolvendo grandes personalidades e a história das classes dominantes. Além disso, essa concepção prega uma visão da sociedade como sendo homogênea e harmônica, na qual, o homem é um simples sujeito passivo.
 Analisando esses resultados, percebemos que esse tipo de ensino forma sujeitos com dificuldades para assumir uma postura crítica e coerente com a sua realidade. Dessa forma, o sujeito não consegue compreender e interpretar os fenômenos que acontecem em seu meio. Sem a devida interpretação dos fatos ocorridos, o ensino da história está fadado à inutilidade, já que o aluno não consegue fazer uma leitura consciente da sua realidade,  o que o torna incapaz de entender a complexidade que envolve as relações em sociedade.
Na tentativa de quebrar com essa concepção positivista ultrapassada, o marxismo trouxe uma enorme criticidade para o estudo da história, pregando uma sociedade em constante conflito de classes e o homem como sujeito da história. O estudo da história dentro dessa concepção é centrado na luta de classes e nos meios de produção e propõe um método dialético para o aprendizado dos conteúdos, sob a  argumentação de facilitar a apresentação dos temas abordados. No entanto, essa metodologia acaba resultando em uma apresentação simplista a rápida dos conteúdos, apresentando-os numa sequência mecânica dos modos de produção: escravismo, feudalismo, capitalismo, socialismo e comunismo, na qual o professor se torna mais um contador de histórias e o aluno um mero ouvinte, sem a autonomia e a opção de pesquisar a sua realidade e relacioná-la com outros tempos e outras histórias. Nessa metodologia, o professor não estimula o aluno a produzir o seu próprio conhecimento de mundo, e o aluno é moldado a pensar e se posicionar criticamente na luta de classes sociais pela hegemonia política e econômica.
Os argumentos apresentados até aqui, já são suficientes para defender a ideia de que essa história deve sim ser afastada do currículo das escolas que ainda estão presas a concepções ultrapassadas e, dá lugar a novas concepções que possam dar embasamento a novas práticas e novos métodos de ensino, contribuindo para formar cidadãos capazes de fazer uma leitura consciente da sua realidade, podendo a partir do diagnóstico,    atuar de forma consciente no sentido de intervir e transformá-la.
Podemos concluir que é necessário que as escolas que ainda adotam essas duas concepções ultrapassadas no ensino da História, façam uma reformulação nos seus  currículos e nas práticas pedagógicas, em conformidade com os Parâmetros Curriculares Nacionais.               

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