Em resposta a essa questão, concluímos que o conhecimento geográfico tornou-se um verdadeiro instrumento de dominação dos detentores do capital e dos interesses estratégicos dos governos e dos blocos de poder.
As grandes empresas principalmente as multinacionais necessitam de bons conhecimentos de geografia para criar as suas estratégias de expansão, do contrário, tendem a enfrentar grandes prejuízos, sobretudo prejuízos financeiros. É uma prática comum nas grandes empresas a adoção de um planejamento estratégico, caracterizado por alguns aspectos fundamentais, são eles: política mundial de atuação; produção com objetivos mundiais; sistema de distribuição global de seus produtos e política publicitária que relacione cultura local e padrões de consumo internacionais.
Nesse contexto, percebe-se que o capital atribui grande importância ao conhecimento da Geografia, História, Antropologia, Política e Religião para alcançar as suas metas e objetivos econômicos.
Do mesmo modo, os países e blocos econômicos, precisam de uma visão estratégica que lhes dê viabilidade para encontrar caminhos adequados para as suas opções industriais, comerciais, tecnológicas e militares. Neste caso, o conhecimento geográfico auxilia os sistemas de espionagem, permitindo que os organismos de controle do Estado atuem de modo a gerenciar os seus espaços de dominação e controlar a vida dos seus cidadãos, chegando a perseguir e silenciar os seus opositores. Atualmente é indispensável para os Países ter o monopólio ou, pelo menos, o acesso fácil às informações consideradas essenciais.
Percebe-se nesse contexto que o conhecimento geográfico torna-se cada vez mais importante no nosso cotidiano e em diversos setores na nossa vida social, privilegiando principalmente o capital, o Estado e os blocos econômicos. Sendo assim, essa reflexão suscita os seguintes direcionamentos: a utilização da Geografia como ciência auxiliar a outras áreas de interesse; a modificação da teoria e do método de estudo das relações que produzem o espaço, ampliando os horizontes da Geografia enquanto disciplina, paralelo a produção de um conhecimento multidisciplinar; a necessidade de aprofundar o debate a respeito da democratização do conhecimento geográfico, tendo em vista a sua utilização em benefício dos grupos econômicos e dos países ricos.
A partir dessas constatações alguns autores sugerem alguns questionamentos: Qual o espaço e a importância do estudo da geografia no ambiente escolar? Seria destinado à escola apenas o papel derivado de absolver o conhecimento produzido fora dela? Como viabilizar a produção de um conhecimento atualizado e historicamente importante, se não se dispõe dos mesmos recursos tecnológicos e econômicos utilizados pelos detentores do poder em seus projetos de controle do saber e da economia?
No intuito de contribuir para a reflexão destas questões, os autores colocam seus pontos de vista sobre o ensino da Geografia nas escolas. Eles evidenciam que é necessário acreditar na força revolucionária da educação para a construção de uma sociedade democrática e, que é preciso muito mais do que boas intenções e voluntariado para sanar as deficiências da prática do ensino escolar, em particular o ensino da Geografia. Segundo os autores é preciso primeiro aceitar as críticas que são feitas à prática do ensino escolar, principalmente aquelas concentradas nos seguintes pontos: conteúdos extensos e desvinculados da realidade escolar; metodologia inadequada com conteúdos predefinidos que não motivam para o contato com a realidade; postura pouco participativa do professor; crítica a passividade dos alunos que não se manifestam em propor mudanças; a falta de recursos materiais, salários defasados, material didático ultrapassado ou inadequado; a necessidade de reformulação na política de formação de professores que é inadequada à realidade atual e ainda a desvalorização social da profissão de professor.
Um segundo ponto de vista destacado pelos autores é que o trabalho na escola deve partir da realidade vivida por professores e alunos. Um terceiro ponto de vista considerado relevante para os autores é que se deve incentivar a criatividade de estudantes e professores nas práticas de ensino. Outro ponto mencionado pelos autores é que não se deve desperdiçar as oportunidades de reflexão coletiva sobre assuntos atuais e relevantes para a sociedade. Em relação a esses quatro pontos citados, os autores sugerem atividades pedagógicas coletivas voltadas para a construção do conhecimento. Essas práticas consistem na observação e análise do espaço geográfico, com o objetivo de integrar teoria e prática, permitindo assim que o estudante conheça o meio em que vive e adquira uma consciência sócio-cultural que o estimule a ações cidadãs. A idéia é que o professor organize aulas de campo em sítios, fazendas, museus, pontos históricos, praias, prédios e outros. A partir da observação e análise do objeto de estudo, parte-se para o registro em relatórios escritos, fotos, filmagens, desenhos, maquetes e outra formas de se registrar o espaço. A proposta dos autores é que a atividade se desenvolva sempre com equipes temáticas, com temas coerentes com a realidade a ser observada. Outra atividade sugerida é o debate com a discussão sobre temas do cotidiano dos jovens, como a AIDS, o desemprego, a sexualidade, a violência, o uso de drogas, o namoro, as relações familiares e etc.
Com essa reflexão, podemos concluir que é possível realizar um processo de ensino-aprendizagem que possibilite ao aluno produzir o seu próprio conhecimento do espaço geográfico. Nesse processo, o professor atua como mediador na produção do conhecimento, possibilitando ao aluno a oportunidade de tornar-se um leitor consciente da sua realidade e capaz de transformá-la. Concluímos também, que o conhecimento geográfico e o seu estudo não são privilégios somente dos detentores do capital e do Estado de Direito. A escola pode usufruir desse mesmo privilégio, viabilizando meios para que alunos e professores produzam conhecimento geográfico baseado na realidade por eles vivenciada.
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